sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O novo Cérebro!

Plasticidade do conhecimento

Nosso cérebro não é mais aquele.

Pelo menos não é mais aquele que pensávamos que fosse.

Uma sequência de descobertas científicas, divulgadas ao longo das últimas semanas, está mudando a forma como o cérebro humano é visto e compreendido.

E, por decorrência, como devemos lidar com ele.

Você acha que o cérebro é dividido em áreas especializadas para processar cada um dos sentidos físicos? Você acredita que a dopamina seja o neurotransmissor do bem-estar? Você aprendeu que os neurônios comunicam-se em um sentido único? Então é melhor se atualizar.

Descobertas revolucionam conhecimento do cérebro

Só muito recentemente os cientistas começaram a destruir a metáfora do cérebro como um computador, ao descobrir que osneurônios individuais têm poder computacional. [Imagem: Tiago Branco/Hausser Lab: UCL]

Neurônios e axônios

Tudo começou quando Costas Anastassiou e seus colegas do Caltech (EUA) descobriram que os neurônios podem se comunicar diretamente à distância, usando campos elétricos e dispensando as sinapses.

Contudo, mesmo nas sinapses, a coisa é mais complicada do que se acreditava.

Os neurônios são complicados, é certo, mas seu conceito básico é o de que as sinapses transmitem sinais elétricos para os dendritos e o corpo celular (entrada), e os axônios passam os sinais adiante (saída).

Pelo menos isto é o que está nos livros-texto. Mas é melhor parar as máquinas e começar a reescrever os livros-texto.

Em um achado surpreendente, Nelson Spruston e seus colegas da Universidade Northwestern (EUA) descobriram agora que os axônios podem operar no sentido inverso: eles também podem enviar sinais para o corpo celular.

Ou seja, os axônios também conversam entre si.

E não apenas isso: antes de enviar os sinais na contra-mão, os axônios podem realizar suas próprias computações neurais, sem qualquer envolvimento do corpo celular ou dos dendritos.

Isto contraria frontalmente o modelo da comunicação neuronal adotado hoje, onde o axônio de um neurônio está em contato com o dendrito ou com o corpo celular de outro neurônio, e não com o axônio desse outro neurônio.

Ao contrário dos cálculos realizados nos dendritos, os cálculos que ocorrem nos axônios são milhares de vezes mais lentos - provavelmente um mecanismo para que os neurônios calculem coisas mais urgentes nos dendritos e usem os axônios para as coisas mais lentas.

O impacto da descoberta é direto e contundente: os cientistas precisam saber em detalhes como um neurônio normal funciona para descobrir o que está dando errado quando surgem doenças como epilepsia, autismo, Alzheimer ou condições como a esquizofrenia.

Descobertas revolucionam conhecimento do cérebro

Outro estudo recente apoiou a "hipótese do cérebro social", uma teoria segundo a qual a amígdala humana teria evoluído em parte para permitir que o homem lidasse com uma vida social cada vez mais complexa. [Imagem: Washington irving/Wikimedia]

Áreas do cérebro

Amir Amedi e seus colegas da Universidade de Jerusalém estavam mais interessados em uma parte específica do cérebro, a parte responsável pela visão.

E suas descobertas questionam a atual paradigma das neurociências, que estabelece que o cérebro é dividido em zonas, cada uma responsável pelo processamento de sinais específicos.

Os cientistas descobriram que a parte do cérebro que se acredita ser responsável pela leitura visual - a parte do seu cérebro que está sendo acionada enquanto você lê este texto - nem mesmo precisa da visão.

Ao monitorar o cérebro de pessoas cegas enquanto elas liam textos em Braille, os cientistas verificaram que as imagens de ressonância revelam atividade exatamente na mesma parte do cérebro que é acionada quando leitores não-deficientes leem usando os olhos.

Mais uma alteração à vista para os livros-texto, uma vez que hoje é largamente aceita a noção de que o cérebro é dividido em regiões, cada uma especializada no processamento de informações vindas através de um determinado sentido - visão, tato, paladar etc.

"O cérebro não é uma máquina sensorial, embora muitas vezes ele se pareça com uma; ele é uma máquina de tarefas," propõe o Dr. Amedi, ainda sem se desvencilhar mecanicismo.

Segundo a proposta do pesquisador, cada área cérebro faria uma tarefa determinada, sem vinculação a um sentido específico. Assim, a área da leitura visual seria ativada esteja você lendo um livro com os olhos, um texto em Braille com os dedos ou mesmo relembrando o parágrafo de um texto que você está tentando decorar.

O Dr. Amedi aproveitou para dar uma espetada nas visões mais estreitas da evolução. Ao contrário de outras tarefas que o cérebro executa, a leitura é uma invenção recente, com pouco mais de 5.000 anos de idade. O Braille tem sido usado há menos de 200 anos.

"Isso não é tempo suficiente para que a evolução tenha moldado um módulo do cérebro dedicado à leitura," disse ele.

Descobertas revolucionam conhecimento do cérebro

Em vez de uma organização hierárquica, como se acreditava, o cérebro parece se organizar como os computadores que formam a internet, de forma distribuída. [Imagem: USC]

Centro de recompensas e dopamina

O trabalho de um grupo de cientistas da Universidade da Geórgia (EUA) e da Universidade Normal da China Oriental se concentrou em outra área do cérebro, o chamado centro de recompensas.

O centro de recompensas, juntamente com o neurotransmissor dopamina, tem sido usado pela neurociência e pela psiquiatria para explicar inúmeras condições em que o indivíduo se guia pela busca do prazer - entre eles vícios, dependência química e inúmeros comportamentos.

Mas parece que o centro de recompensas vai precisar de um outro nome.

Joe Tsien e seus colegas demonstraram que essa área do cérebro responde também às experiências ruins.

Esteja você comendo chocolate ou caindo de um prédio - ou mesmo pensando em uma dessas coisas - a dopamina será produzida do mesmo jeito.

Os cientistas estudaram os neurônios de dopamina na área tegmental ventral do cérebro de camundongos, amplamente pesquisada por seu papel na chamada motivação relacionada à recompensa - mais conhecida como dependência química.

Eles descobriram que essencialmente todas as células apresentaram alguma resposta tanto a experiências boas como a experiências ruins - na verdade, um evento que induz o medo disparou 25% dos neurônios, produzindo uma enxurrada de dopamina.

"Nós acreditávamos que a dopamina estivesse sempre envolvida na recompensa e no processamento de sensações de bem-estar," disse Tsien. "O que descobrimos é que os neurônios de dopamina também são estimulados e respondem a eventos negativos."

Cérebro que se constrói

Descobertas como estas podem impulsionar a compreensão do cérebro porque, munidos de descrições mais fiéis da realidade, os cientistas podem iniciar experimentos com resultados mais promissores.

O exemplo clássico é o da descoberta da plasticidade do cérebro. Por muito tempo se acreditou que o cérebro possuía um número fixo de neurônios, que só faziam morrer ao longo da vida, sem reposição.

A descoberta de que o cérebro é altamente adaptável levou a descobertas como a de que as mudanças no cérebro podem ser induzidas voluntariamente, dando sustentação a novas pesquisas na área de psicoterapia e meditação, entre outras, abrindo caminho para terapias não-medicamentosas de alta eficácia.

Mas há muito a se fazer. Apesar de continuar avançando no entendimento da "troca de dados" entre os neurônios, os cientistas ainda sabem pouco sobre a linguagem que o cérebro usa nesses dados - é como se conseguíssemos detectar os 0s e 1s dos computadores mas não soubéssemos como transformá-los em letras e números.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mudanças neste blog!

Queridos leitores e seguidores estou fazendo algumas mudanças neste blog como puderam observar.

Estou escolhendo uma nome mais adequado e melhorando a diagramação também. Peço desculpas pelo transtorno que isso pode estar causando. 

Aguardem as novidade!

Abraços

Karina

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Anestésico pode aumentar tendência ao suicídio

Ziconotida

O agente ativo ziconotida (ziconotide), a toxina sintética do caracol cone (Conus magus), foi aclamada pela comunidademédica como uma alternativa segura à morfina, quando foi introduzido, há seis anos.

Agora, há cada vez mais suspeitas de que ele possa levar pacientes a cometerem suicídio.

A equipe do Dr. Christoph Maier, da Universidade Ruhr, na Alemanha, acredita que a ziconotida não suprime apenas a transmissão do estímulo doloroso, mas também deteriora o estado de espírito do paciente e pode, simultaneamente, reduzir a ansiedade e o controle dos impulsos.

Esses mecanismos podem promover tendências suicidas em pacientes vulneráveis.

Os cientistas recomendam assim um diagnóstico cuidadoso e o acompanhamento da condição psíquica dos pacientes tratados com analgésicos à base de ziconotida.

Eles publicaram suas conclusões no periódico Medical Journal Pain.

Analgésico e suicídio

A ziconotida tem inúmeras vantagens, incluindo o fato de que ela não tem nenhum dos efeitos colaterais geralmente associados com os opioides, como depressão respiratória (asfixia).

Além disso, o componente não leva ao desenvolvimento de tolerância.

Ele está no mercado desde 2004, sendo administrado a pacientes com bomba intratecal quando os opioides não se mostram suficientes ou desencadeiam efeitos colaterais inaceitáveis.

Recentemente, contudo, o número de relatos sobre os efeitos colaterais psíquicos da ziconotida aumentou.

Os pesquisadores alemães analisaram numerosos estudos, registrando um número crescente de tentativas de suicídio, as quais os autores dos estudos originais não haviam atribuído ao tratamento com a ziconotida.

Os especialistas insistem que as empresas farmacêuticas e as autoridades de saúde devem urgentemente investigar os casos novamente.

Uso da ziconotida

Segundo eles, doravante, todos os pacientes deveriam ser analisados para possíveis distúrbios psíquicos antes do início de tratamentos à base de ziconotida e serem monitorados de perto, independentemente do alívio da dor devido à droga.

Os médicos afirmam que os casos mencionados ressaltam o fato de que um aumento no tratamento da dor quando as drogas-padrão falham nem sempre é o modo correto de ação.

Segundo o Dr. Maier, muitas vezes este é exatamente o caminho errado.

Esta mesma conclusão já havia sido apontada algumas semanas antes, no Congresso da Federação Alemã Terapeutas da Dor.