terça-feira, 22 de maio de 2012

Os movimentos do Coração


Escrito por Karina Paitach

A Terra vive do amor que o Céu tem por ela. Assim começa o preâmbulo do Livro Os Movimentos do Coração – Psicologia dos Chineses sobre o qual gostaria de falar um pouco.
Na cultura chinesa o Céu e a Terra se encontram.  Este “ponto de encontro” é o coração do homem. É o vaso sagrado que por natureza é vasto como o Céu e também a terra sagrada dentro de cada um. Por este motivo o coração é o centro das atenções no que diz respeito a nossa psicologia.
Sendo cada um deles, o Céu e a Terra, operadores da vida, vamos falar sobre a Virtude do Céu, o Sopro da Terra e os Espíritos que são os mensageiros da Virtude do Céu. Teremos também que revelar os três Tesouros se quisermos entender os seres humanos e por fim chegarmos aos Cinco Espíritos; que são a finalidade desta coletânea de textos.
Podemos dizer que o Céu é o que se manifesta como nossa própria natureza, que é a autenticidade do nosso agir. E o coração abriga o Céu e é sua morada, pois ele é capaz de receber o dom de reconhecer a justeza e a autenticidade das condutas.
O que recebemos do Céu nos marca ativa e constantemente; daí se originam todas as condutas do indivíduo. Já os Espíritos são da mesma qualidade da Virtude do Céu só que um pouco mais específicos. Assim são retratados os Espíritos: “A Virtude, assim como os Espíritos, é luminosidade irradiante. É a Luz que ilumina tudo que vem a este mundo...”. Os Espíritos advêm em nós, repletos de luz, manifestam a virtude e a trazem para nós”.
A Terra em nós é aquilo que recebe e carrega a virtude, dando-lhe formas. A Terra é uma grande provedora de formas definidas onde ficam abrigados os dons do Céu. Mas antes de falar em ‘forma’ devemos falar sobre a forma sem forma, ou seja, aquela que aceita se tornar todas as formas: o Sopro e só ele é que pode ser verdadeiramente oposto, contrastado, complementar e compenetrado para e pela imensa Virtude do Céu.
E é a partir deste nível que nasce o YIN/YANG, pois agora existem dez mil seres. De um Sopro único e universal nasce a multiplicidade.  Quando falamos em sopros falamos no conhecido Qi e é por meio dos sopros ou Qi que tudo se faz, mantem e anima a Vida.
Agora que já entendemos sobre o Céu e a Terra, o que nasce deste cruzamento, ou melhor, o que nasce deste abraço são os seres viventes, portanto: “não há vida senão através dos sopros yin/yang, submetidos à ação própria da Terra, individualizados pelo Céu”.
Temos a tríade perfeita – CÉU – TERRA – VIDA, podemos falar um pouco sobre nós Humanos. No entanto o que nos difere, seres viventes, dos outros milhares de seres. O que temos de único? Aqui nasce o que é conhecido por Os três Tesouros.
Agora peço sua atenção: para que os viventes surjam deve haver uma revelação! Eis aqui o que é conhecido como Essências ou Jing o primeiro tesouro. O Jing é nossa energia constitucional e física o que nos torna viventes é o enraizamento de tudo o que existe – o elo biológico. Herdamos dos nossos pais e é o que nos liga ao mundo animal. Sendo assim os instintos de sobrevivência, a agressividade e a necessidade de nos ligarmos aos outros, estão ligados ao Jing.
Mas sabemos que nós não estamos ligados apenas ao reino animal, mas sim com todo Universo e esta ligação se dá através do Qi ou os sopros. Como mencionado anteriormente é ele que dá origem a todas as formas, portanto somos todos UM através do Qi, o segundo tesouro.
O terceiro e último tesouro é o que nos torna HUMANOS, o que nos diferencia e nos torna únicos no universo. Shen ou Espírito é o que não compartilhamos com os animais. Foi o Céu que nos concedeu. Os três tesouros refletem a tríade perfeita, sendo o Jing nosso elo biológico com os outros animais, portanto está ligado a Terra, o Qi que compartilhamos com os dez mil seres e o Shen é a dádiva única concedida pelo Céu.
Temos mais revelações para fazer, a revelação dos Espíritos e esta se dá do encontro entre duas essências. O casal primordial, já falamos sobre eles, O CÉU/TERRA, os outros casais apenas reproduzem esta imagem, como por exemplo: YIN/YANG – MACHO/FÊMEA, etc.
Os Espíritos são o Céu em nós, nos conduzindo e trazendo sua mensagem. Shen é enraizado, fixado através das essências, está muito além delas mas opera e se manifesta através delas. Como tudo tem uma raiz, um lugar de onde emana uma radiancia luminosa assim também tem, como sua primeira morada, o Coração – Morada do SHEN. Aqui entendemos porque do brilho dos olhos, a luz espiritual que é conhecida como emanação luminosa simbolizando saúde e vivacidade.
É a partir do Coração, os Espíritos irradiam até os mais remotos recônditos do ser; eles estão em toda parte, nos Zang (órgãos), no mental, em todo o lugar onde a animação vital se manifesta. Para sua manutenção precisamos proporcionar um coração sereno e disponível. Disponível quer dizer um Coração vazio no seu mais alto grau de significado.
Embora o Espírito - Shen seja indivisível e inominável, mistério último, podemos particularizá-lo de acordo com suas moradas. Sabemos também que ele habita todos os lugares, mas vamos falar de cinco, que estão relacionados a cinco órgãos Yin ou Zang e que são a finalidade destes textos.
Primeiro devemos abordar é Espírito na sua manifestação mais Yang o chamado HUN que habita o Fígado e está em ressonância com o elemento Madeira. O aspecto mais Yin doShen conhecido como PO que está relacionado com o órgão Pulmão e está em ressonância com o movimento Metal, mas este deixaremos para o nosso próximo encontro.
Shen se expressa através dos órgãos (Zang – Yin) e vísceras (Fu – Yang) sob cinco formas, também chamadas de “Alma dos Zang-Fu” que remonta a ideia de morada dos Espíritos no nosso corpo.

HUN - ALMAS ESPIRITUAIS
Para nós ocidentais Hun é o que chamamos de “alma” ou “espírito” da pessoa. Podemos chamar de almas espirituais, espírito que raciocina - mas chamaremos de HUN.
Hun como um movimento Yang tende a subir, elevar-se e ele precisa que algo o entesoure - o seu enraizamento acontece no Fígado impedindo seu impulso em direção ao Céu.
Pensando em ressonância, lembrando que a sabedoria dos orientais se espelhou na natureza para desenvolver toda sua filosofia e medicina; quando desenvolveram o conceito de movimento Madeira estavam falando sobre a força do nascer das plantas, que se movem em direção ao Céu e isso acontece na Primavera estação que representa o desabrochar de tudo. O fígado yin com seu parceiro yang a Vesícula Biliar formam o par de órgãos (YIN/YANG) do movimento Madeira.
Este sistema Fígado/Vesícula Biliar, fisiologicamente falando (na visão da MTC) é responsável por armazenar e regularizar a saída de sangue de acordo com os diferentes estados fisiológicos. É ele quem “comanda o mar do sangue”. Nutre os tendões e músculos já que eles são alimentados pelo sangue. Todas as funções são geradoras dos nossos movimentos o que deixa claro sua ressonância com a Madeira.
Outra manifestação do Hun é através da emoção ressonante – Raiva no sentido de impulso para a realização. É uma força dinâmica que desencadeia os impulsos necessários para empreender uma ação.  Como controla a imaginação, desempenha um papel essencial em todo ato de criação, permitindo a elaboração de uma estratégia.
Hun descontrolado gera a ira, a fúria que nos torna cegos de raiva. Os planos futuros e a criatividade perdem sua fonte de estímulo e o nosso sono se torna agitado. O Coração será muito afetado neste desequilíbrio, pois não é ele um músculo? E também não é ele a primeira morada do SHEN?
Cada sistema no homem tem sua singularidade e atividades que lhes são próprias no metabolismo energético, mas todos são de igual importância na manutenção do equilíbrio. As atividades humanas sejam elas mentais, emocionais, fisiológicas, espirituais ou sociais não são nada além das expressões múltiplas de um mesmo princípio geral, que é a transformação e o fluxo da energia e a manutenção disso depende de uma moradia tranquila para os espíritos, o coração sereno.

(*) Texto Introdutório - No próximo texto falaremos sobre PO – Alma Vegetativa e o Movimento Metal.

Referencia Bibliográfica:
Elisabeth Rochat de La Vallee e Claude Larre. Os Movimentos do Coração: Psicologia dos Chineses.
Belo Horizonte: s.e., 2004. Tradução de Nicole Mir.
Wang. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo. Editora Icone, 2001.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Conselho Nacional de Saúde recomendou...


Brasília, 19 de abril de 2012


CNS faz recomendação sobre exercício da acupuntura

        Nesta semana, o Conselho Nacional de Saúde recomendou aos gestores e prestadores de serviços de saúde que observem o caráter multiprofissional em todos os níveis de assistência na implementação de políticas ou programas de saúde referentes às práticas integrativas e complementares, como a acupuntura. “Na prática, não apenas médicos podem exercer a acupuntura. A contratação de forma multiprofissional é preconizada pela Politica Nacional de Praticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde”, lembra o conselheiro nacional de saúde Wilen Heil e Silva, do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO).

        Para zelar pelo direito do usuário da saúde de acesso aos serviços envolvendo práticas integrativas e complementares, o CNS também recomendou aos conselhos estaduais e municipais de saúde que tomem as providências cabíveis para fazer valer a politica nacional.

        A utilização da acupuntura no Brasil, nos últimos 26 anos, enquanto recurso terapêutico, além de seguir a legislação sanitária, é regulamentada e fiscalizada pelos conselhos profissionais (autarquias federais). Esses conselhos reconhecem a prática e a respectiva especialização profissional, nas quais são estabelecidos, por meio de resoluções específicas, critérios para garantir à população um tratamento ético e responsável. Com isso, esta prática está respaldada com segurança e eficácia. Ao recomendar que essas informações sejam amplamente divulgadas, também com o apoio das secretarias de saúde estaduais e municipais, o CNS pretende informar corretamente a população sobre o caráter multiprofissional da acupuntura e assim ampliar o acesso da população a esta prática.

Acesse aqui a legislação e as recomendações anteriores sobre as práticas integrativas







 
Equipe de Comunicação do CNS
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Fax: (61) 3315-2414/3927
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terça-feira, 3 de abril de 2012

A corrida do Ouro - Acupuntura no Brasil


Por recurso do Conselho Federal de Medicina o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, decidiu pela proibição da prática da acupuntura por quaisquer profissionais da saúde que não tenham formação em faculdades de medicina. A decisão da última terça-feira está valendo a partir da publicação oficial, ainda que as demais categorias recorram. Acupuntura no Brasil agora é ato médico. Exclusivo.
A política médica que ganha hoje no país a exclusividade para a prática da acupuntura já desqualificou a técnica nos mesmos tribunais. No final dos anos 1960 a categoria posicionou-se contra a prática da acupuntura, considerando-a charlatanismo.
Acupunturistas foram presos acusados de curandeirismo, estavam totalmente desprotegidos pela legislação.
No início dos anos 1970 o Conselho Federal de Medicina rejeitou oficialmente a acupuntura e a reflexologia como atividades médicas. O Conselho de Medicina de São Paulo censurou publicamente o médico Evaldo Martins Leite por praticar acupuntura, Naquela época, ainda que em outros países a acupuntura estivesse sendo reconhecida e procurada como uma nova ferramenta de trabalho por vários profissionais, entre eles os médicos, no Brasil era uma vergonha ser médico e defender a acupuntura.
Os resultados práticos dos efeitos da terapia oriental eram inegáveis e vários países foram envolvidos em estudos para testar sua eficácia sob os paradigmas da pesquisa ocidental. Em 1977 o Brasil chegou a reconhecer a acupuntura como ocupação profissional. A Organização Mundial de Saúde, na mesma época, além de reconhecer, recomendava a prática. Os usuários surgiam, os profissionais acupuntores, vindos das mais variadas áreas de saúde, se multiplicavam.
Médicos brasileiros, contrariando o CFM, começaram a fazer a formação com o alemão naturalizado brasileiro Friedrich Jahann Spaeth na antiga sede da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1979. Spaeth, que era fisioterapeuta, massoterapeuta e acupunturista formado na Alemanha, fundou no Brasil, em 1958, a primeira instituição voltada para a prática da acupuntura, a Sociedade Brasileira de Acupuntura e Medicina Oriental.
Antes dele, a acupuntura já existia nas comunidades chinesas desde 1812 e nas japonesas desde 1895. Os imigrantes orientais usavam-na entre eles, mas nunca se organizaram para difundi-la.
Em 1961 desembarcou no Brasil Wu Tou Kwang, médico cirurgião vascular, que também passou a formar acupuntores, sempre defendendo a atividade como democrática, multidisciplinar, barata e eficaz. Na mesma década vieram os coreanos trazendo uma acupuntura diferente da japonesa e da chinesa. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o psicólogo Reuben B. Arnber, aluno de acupuntura de Wu Wei Ping, iniciava uma jornada política pela regulamentação da acupuntura.
Mesmo sem apoio do Conselho Federal de Medicina, mais médicos passaram a frequentar cursos de acupuntura. A terapia oriental funcionava, eles podiam atestar, fervilhavam as pesquisas com revelações surpreendentes sobre o uso e a eficácia da técnica das agulhas. Politicamente era um problema a acupuntura ser lecionada por não-médicos, a autoridade principal do assunto não ter formação médica. Em 1980, pelo fato de não ser médico, Frederich Spaeth foi destituído da presidência da Associação Brasileira de Acupuntura pelos seus ex-alunos médicos. No raciocínio político, os médicos precisavam assumir a técnica, agora que ela era respeitada pela ciência. Banir os papas da acupuntura no país significava desvincular da ideia inicial, produzida pelos próprios conselhos de medicina, de que era charlatanismo. Perversão pouca é bobagem. E o judiciário ali, de testemunha na corrida do ouro.
Na bela Recife de 1981, no I Congresso Brasileiro de Acupuntura, a manifestação de repúdio aos profissionais tradicionais de acupuntura por parte de médicos corporativistas tomou forma oficial e em 1984, em outro congresso da categoria, em Brasília, os médicos separaram-se oficialmente dos demais acupuntores para fundar a SMBA- Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura.
Quatro anos depois o médico-deputado paulista Antonio Salim Curiati deu entrada ao projeto PL852/88 a favor da prática multidisciplinar da acupuntura. No mesmo ano a CIPLAN, comissão interministerial de Planejamento, após se reunir exclusivamente com representantes da SMBA, baixou resolução normatizando o emprego da acupuntura nos serviços públicos médicos assistenciais, restringindo a prática apenas para médicos.
Em 1991, uma resolução em assembléia da OMS recomendou a intensificação de cooperação entre as medicinas tradicionais e a científica moderna, com medidas reguladoras dos métodos de acupuntura. O PLC Nº383/1991 para regulamentação da acupuntura foi aprovado, inclusive por todos os conselhos de medicina.
Não durou muito o aparente sossego. Em 1993 a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária publicou um relatório com recomendação de que a acupuntura fosse monopolizada pela classe médica. O seminário, que resultou na recomendação, foi composto por 12 médicos da SMBA, 2 médicos a favor dos acupunturistas de outras formações e um profissional não-médico.
Os médicos Wu Tou Kwang e Evaldo Martins Leite recorreram ao senador Valmir Campelo convencendo-o a mudar de opinião e democratizar a regulamentação para todos os profissionais da área saúde. Um abaixo-assinado contra o monopólio médico da acupuntura, com 45.000 nomes, sendo 300 de assinaturas de médicos, foi enviado ao Senado.
Em 1997, uma nova manobra com emendas em plenário dos senadores médicos Lucídio Portela e José Alves tentou restaurar o monopólio da acupuntura para os médicos. Depois de muitos imbróglios, foi derrotada e a acupuntura se fortaleceu como profissão da área de saúde, respeitando suas origens não-médicas, podendo ser praticada por assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, biólogos, profissionais da educação física, biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, médicos veterinários, nutricionistas, psicólogos e odontólogos.
Entre os anos 1980 e o final dos anos 1990, segundo dados publicados no Journal of the American Medicine Association, as chamadas “terapias alternativas” cresceram de 7% para 47% e a previsão era de que continuassem em elevação. No judiciário brasileiro somavam-se processos contra o exercício ilegal da medicina por acupunturistas não-médicos. O acesso ao livre exercício da profissão por outras categorias da área da saúde enfrentava atos arbitrários sucessivos do Conselho Federal de Medicina.
As organizações pró-acupuntura multidisciplinar foram crescendo e se fortalecendo política e praticamente, já com base em evidências científicas, o que é raro nas terapias alternativas. Ainda em 1998, cientistas na Universidade da Califórnia comprovaram por meio de ressonância magnética que os pontos da acupuntura estavam mesmo ligados a importantes órgãos internos e funções do corpo. Era ciência, uma ciência caindo nas mãos de seus próprios criadores e eles faziam com ela o que bem quisessem, até formavam profissionais não-médicos! Foi um momento desesperador para os médicos corporativistas.
Em 1999, ano de muito crescimento em pesquisas, fundações de instituições e popularidade da acupuntura, cresceram os debates. Nesse ano estimou-se que 5.000 médicos e 20.000 profissionais de outras áreas da saúde faziam uso da acupuntura.
Em 2000, nova broma. Um grupo de médicos brasileiros enviou relatório ao Senado afirmando que na China, berço da acupuntura, ela era lecionada exclusivamente em escolas médicas. Não deu certo: num lance digno de profissionais éticos, o diplomata Affonso Celso de Ouro Preto, embaixador do Brasil na China, enviou carta ao Senado afirmando que, na China, “a acupuntura é uma atividade socialmente independente da medicina alopática ocidental”, sendo regulada pela Secretaria Nacional de Administração da Medicina Chinesa, sem qualquer ligação com a medicina alopata clássica.
Em 2000, após o arquivamento da tentativa de monopólio da acupuntura pela classe médica no Senado, a Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura lançou a campanha com a pergunta – “Meu acupunturista é médico, e o seu?” — que induzia o eventual usuário a duvidar da capacidade dos acupunturistas vindos de outras áreas da medicina.
E assim, nesse ritmo, continuou nos últimos 12 anos. A briga contra o exercício da acupuntura por outros profissionais da saúde é a mesma velha briga da medicina por mercado, por vaidade, por poder, por medo de perder o poder, como fica claro nessa breve e resumida história sobre a batalha particular entre médicos corporativistas e todos os outros profissionais de saúde que foram surgindo ao logo da história por consequência natural, e podemos afirmar, por ciência, derrubando crenças médicas.
A guerra de hoje é a mesma que atravessa séculos contra o exercício pleno e legítimo do trabalho das parteiras, das enfermeiras. A mesma que levanta piadas contra o trabalho dos psicólogos, dos terapeutas, a mesma luta covarde contra os direitos dos profissionais da fisioterapia, dos optometristas. É a mesma, é o de sempre, é mais do mesmo. Não surpreenderia tanto se esses profissionais da medicina não fossem tão bem formados, tão bem treinados em incontáveis horas de estudo e treinamento técnico. Fica difícil compreender como profissionais de alto gabarito podem usar de estratégias e manobras políticas tão baixas, idênticas às que utilizavam na Idade Média.
O espírito competitivo, predador e excludente dos representantes oficiais dos médicos no Brasil ainda levará a categoria inteira para o fundo do poço, o mesmo velho poço que tem servido para sepultar todos aqueles que ao longo da história da medicina foram acusados de charlatões.